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O sistema de patrulhas em tempos de COVID-19

No ultimo ano todos nós fomos desafiados a aprender e cumprir novas regras sociais, temporárias, como forma de nos protegermos – a nós próprios e às nossas comunidades. Às crianças e jovens foi pedido um sacrifício adicional, tiveram de ficar em casa por longos períodos, por vezes em espaços reduzidos como os apartamentos e em situações familiares sujeitas ao stress. Como podemos, mais uma vez, ser farol numa nova realidade?

Fora dos Eixos

Pedro Henrique Aparício e Eduardo Missoni

Texto

Âmbito Associativo
Proposta Reflexão

A história da COVID-19 e o desenho de um novo normal

Novembro de 2019, uma grave doença respiratória com causa desconhecida espalhou-se na província Chinesa de Hubei. O rápido aumento de casos levaram a que a comissão de saúde do município de Wuhan fizesse o primeiro anúncio público de uma epidemia pneumónica com causa desconhecida a 31 de Dezembro.
Nas semanas seguintes a causa desta epidemia pneumónica atípica foi identificada como resultado do novo Coronavírus (SARS-Cov-2) e esta doença acaba por ser nomeada como COVID -19.
Em meados de Janeiro 2020, o vírus já se havia espalhado por outras províncias chinesas, potenciada pelos fluxos de pessoas que se deslocavam para os festejos do ano novo chinês.
Rapidamente se constatou que o vírus se transmite entre humanos, tal como a maioria das infeções respiratórias, deixando o mundo em sobreaviso pelo seu potencial pandémico. Poderia assim atuar em diferentes regiões do mundo, ainda para mais com a realidade de interconetividade que vivemos através da globalização.
30 de Janeiro 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declara a COVID-19 uma Emergência de Saúde Pública, com vigência internacional.
31 de Janeiro 2020, a Itália apresenta os dois primeiros casos confirmados de COVID-19, com origem em turistas chineses e, muito rapidamente, a Europa se transformaria no novo centro ativo desta epidemia. Em poucas semanas foram registados novos casos nas Américas e nos outros continentes.
O número de novas infeções e mortes aumentaram muito rapidamente, acabando por colocar em risco vários grupos populacionais e uma sobrecarga em todos os serviços de cuidados de saúde que se viram a braços com uma doença para a qual não tinham capacidade instalada para lidar. Aqui, vale a pena recordar, registou-se um elevado número de internamentos que necessitaram de cuidados intensivos, assim como de mortes (especialmente em idosos e jovens com doenças crónicas pré existentes).

Até quase ao final de 2020 não houve notícias de uma terapêutica ou mesmo uma vacina, sendo que nos dias de hoje existe a boa notícia de vacinas disponíveis – infelizmente não na quantidade desejada para se poder garantir globalmente a proteção contra esta epidemia. Assim as medidas mais eficazes e que não devem ser abandonadas para já são a quarentena de casos confirmados (ou de alto risco) e as medidas clássicas de higiene e saúde pública que se foram ensaiando desde o início da pandemia: manter o distanciamento físico (evitar as aglomerações e reuniões, principalmente em espaços fechados), a lavagem frequente das mãos, evitar tocar na face e assegurar uma boa ventilação de espaços fechados e a utilização de equipamentos de proteção individual como as máscaras de proteção. A maioria dos países introduziram restrições severas à circulação ou mesmo foram optando por confinamentos totais ou parciais conforme os níveis de alerta e escalada da pandemia. Todos nós fomos desafiados a aprender e cumprir estas novas regras sociais, temporárias, como forma de nos protegermos – a nós próprios e as nossas comunidades.

Às crianças e jovens foi pedido um sacrifício adicional, tiveram de ficar em casa por longos períodos, por vezes em espaços reduzidos como os apartamentos e em situações familiares sujeitas ao stress. Isto também originou uma dura crise económica, aumentando o sofrimento em diferentes grupos da nossa população.

Seguramente que a criatividade e a solidariedade ajudaram-nos nestes tempos difíceis. Todos tivemos de aprender a reorganizar as nossas atividades diárias e mesmo as nossas relações sociais.

À medida que a epidemia fique sob controle é possível que as próprias medidas de proteção sejam progressivamente menos restritivas, mas aprendemos que o risco não deixou de existir. Para evitarmos um agravamento da situação todos somos chamados a olhar pelo bem comum e a exercitar a responsabilidade social de forma mais responsável. Também aprendemos que devemos estar Sempre Alerta face às ameaças de uma epidemia, mas também perante as clássicas catástrofes, naturais ou provocadas por humanos.

Aprendemos no escutismo que devemos “fazer o nosso melhor para deixarmos o mundo um pouco melhor do que o encontrámos” e de facto temos ferramentas que permitirão às futuras gerações enfrentarem esse desafio.

A rotina instalada

Todos enraizámos novos hábitos desde a chegada da Covid-19 e procurámos proteger a nossa saúde com ações concretas: Etiqueta respiratória, higienização frequente das mãos, distanciamento social e proteção individual.

Mas ao longo deste trajeto conhecemos e usámos uma arma rápida e poderosa, mas com efeitos colaterais pesados – o confinamento.

Desde o início desta pandemia em Portugal vivemos já três períodos de confinamento e, neste momento, face ao controlo da intensidade de casos ativos estamos novamente a aliviar algumas das medidas restritivas impostas.

De todas as atividades que frequentamos muitas, como o escutismo, experienciaram uma alteração de paradigma forçado. O veículo de comunicação deixou de contar com a força do presencial, o sentido de pertença foi sendo vivido à distância e até começámos a viver momentos síncronos e assíncronos – como se o tempo pudesse ser parado.

De facto a generalidade da população foi remetida para uma situação que não nos é natural, a vivência dentro da habitação como espaço de referência para escola, trabalho e família, acrescida da limitação de utilização do espaço exterior como forma de garantir o distanciamento físico tem ditado uma pressão imensa sobre todos nós.
Se pensarmos que muitos de nós celebraram os aniversários em 2020 e até em 2021 durante um confinamento, alguns descobriram a telescola como nunca antes havia sido pensada e, até na realidade das compras, o on-line disparou como forma de minorar os impactos do ficar em casa.

Ninguém sabe o que acontecerá ao certo no futuro. Para já temos o horizonte temporal do ano 2021 onde está já estabelecido, para o mundo do trabalho, que pelo menos até Dezembro estaremos a trabalhar a partir de casa, sempre que o teletrabalho seja possível.

Uma coisa é certa, o desafio é para toda a comunidade e, juntos queremos devolver alguma normalidade às rotinas sociais que vivemos. Temos feito todos os esforços por manter vivo aquilo com que nos faz falta, mas vale a pena refletir no caso particular do escutismo, como iremos continuar a fazer e acima de tudo se conseguiremos reforçar o nosso propósito.

Mais do que recordarmos os problemas, neste momento em que o segundo confinamento geral em Portugal se prepara para ser levantado, devemos desafiarmo-nos a fazer algum pensamento sobre as lições que aprendemos e como eventualmente seguir em frente com as nossas atividades escutistas.

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Alguns acharão que apenas devemos pensar em introduzir a máscara como peça oficial do uniforme, outros poderão dizer que tudo se tem mantido como sempre conhecemos.

O que nos trouxe a Pandemia

Alguns acharão que apenas devemos pensar em introduzir a máscara como peça oficial do uniforme, outros poderão dizer que tudo se tem mantido como sempre conhecemos. A realidade é que o simples facto de não visitarmos a sede, de não termos usado a simbologia e o espaço que temos nos agrupamentos, tem um impacto grande no sentido de pertença e na vida da unidade básica do escutismo – a Patrulha.

Acreditamos que será através desta maravilha do método que podemos sair reforçados, até porque a própria gestão da pandemia nos tem ensinado algumas coisas sobre o ser patrulha:

Criação de grupos de referência:

Já muitos de nós fizemos planos de desconfinamento, mais ou menos complexos. As dinâmicas que têm surgido têm permitido uma aproximação muito grande de quem vivia distante, mas de certa forma pode estar a afastar os que estão próximos.

Vivemos um JOTI extra durante o primeiro confinamento e, em Portugal, seguiu-se uma dinâmica de Escutismo em Casa com o ACANTONAC, seguindo-se uma adaptação de grande parte das atividades de uma associação vocacionada para o ar-livre, agora confinada a uma nova vocação: o on-line.

Foi importante para que a associação se mantivesse em atividade, para que o mínimo do vínculo permanecesse entre o CNE e as suas crianças, jovens e adultos voluntários. Mas precisamos avaliar quantos retomarão as atividades presenciais nestes primeiros tempos, a que novos elementos conseguiremos aparecer como nova proposta educativa não formal e como poderemos recuperar aquilo que perdemos.

Este admirável novo campo de jogo trouxe muita oportunidade de descoberta, alguns perigos que vão sendo conhecidos, mas talvez seja prudente esperarmos por um regresso totalmente ao ar-livre para analisarmos então o que se passou e que lições precisaremos aprender como associação.

Para onde vamos:

Sempre ouvimos, mas principalmente depois desta experiência, reconhecemos que será fundamental a vida em Patrulha ganhar um novo destaque, que se experimente retomar as práticas do sistema de progresso, da metodologia do projeto sempre com o mesmo grupo de referência e com o apoio do adulto voluntário.

Não apenas servirá como forma de rastreio para eventuais cadeias de contágio, mas acima de tudo permitirá recuperar a identidade do escutismo e reforçar a sua autenticidade perante a adversidade.

Olhemos para as estratégias criadas para o ensino, as turmas grandes foram partidas de forma de garantir o domínio neste novo mundo on-line e a proximidade a cada caso específico. Nas empresas os horários desfasados também permitiram criar grupos interdependentes, mas que cooperam de forma a garantir o sucesso e que também precisam estar atentos às realidades individuais.

A partir da experiência do acampamento de Brownsea, em 1907, Baden-Powell idealizou projeto educativo baseado na dinâmica de patrulhas e estas tornaram-se o elemento base para a organização de todas as ações do movimento escutista.
Começava assim a pedagogia do pequeno grupo, onde cada jovem era individualmente responsável por um papel relevante na gestão desta pequena comunidade, tornando-se assim corresponsável pelo bem comum. Estes pequenos grupos conseguiram ter uma identidade de grupo bem definida, foi garantido um sistema de competição entre si de forma a desafiarem-se e a colocarem as suas capacidades de pequeno grupo em jogo, mas acima de tudo permitiram a aprendizagem através da diversão.
O Sistema de Patrulhas no Corpo Nacional de Escutas, à luz do nosso Regulamento Geral atual, indica que deveríamos considerar (em sentido lato) que cada unidade teria entre 2 a 5 patrulhas, cada uma constituída entre 4 a 8 elementos, tendo uma identidade própria fruto do contexto da faixa etária a que nos dirigimos. É através destes pequenos grupos que foi desenhado um programa com vista a autonomia, auto formação e vivência comunitária. Em jeito de paralelismo aproveitaria aqui para referir que as normas apertadas do período de contingência em Portugal, estabelecidas pela Direção Geral de Saúde, indicam que não devem existir ajuntamentos superiores a 10 pessoas – o que salvaguarda o trabalho em patrulha.
Certamente que o desafio que se apresenta logo depois é a presença do adulto, papel este que o método escutista define como gradualmente menos presente face à autonomia e maturidade dos próprios escuteiros mais velhos. Aqui talvez seja o primeiro problema com que nos depararemos: o rácio dirigente – escuteiro. 

Outro tema que temos certamente pela frente será a forma como lidamos com a tecnologia. Podemos olhá-la apenas como uma distração ou algo que nos desliga da autenticidade – mas reconheçamos que neste momento crucial ela foi a ferramenta pedagógica mais poderosa que tivemos e quem sabe o garante da sobrevivência.

Ainda assim, com a esperança da retoma gradual do ensino presencial, diria que a Pandemia deverá estar longe de ter terminado, é tempo de refletirmos como podemos fazer diferente para continuarmos juntos a construir um mundo melhor.
Primeiro que tudo há que começar nas bases, onde o escutismo tem uma atividade forte e intensa na vida de cada criança e jovem que aderiu ao movimento, em cada agrupamento e unidade local.

Precisamos de um diagnóstico claro:

Antes da Covid-19 como funcionavam as nossas unidades?
Qual o papel real e efetivo do Conselho de Guias no processo de tomada de decisão das nossas unidades e de que forma efetivamente conseguíamos ouvir os rapazes e raparigas a propósito dos planos futuros?

O movimento escutista define a sua missão como “contribuir para a educação dos jovens, através de um sistema de valores baseados na Promessa e Lei escutista, para ajudar a construir um mundo melhor onde as pessoas são auto realizadas enquanto indivíduos e assumem um papel construtivo na sociedade”. E de facto vai conseguindo assumir este papel na vida de cada indivíduo que adere ao movimento, mas igualmente nas comunidades onde estes se inserem e que acabam por fazer um pouco mais do que a simples, mas importante, boa ação diária.

A vida em pequenos grupos foi a forma como Baden-Powell idealizou a implementação do modelo educativo para o movimento escutista, assente na corresponsabilização individual pelo bem comum. Nestes pequenos grupos, semelhantes a micro sociedades, cada elemento assume um papel relevante na concretização das ideias, tornando-se especialista em determinada área temática e coloca o seu talento ao serviço de todos.
Analisando a vida das nossas secções etárias todas funcionam com recurso ao sistema de patrulhas e, em particular no CNE, existe uma forte componente identitária para estas. Bastará apenas percebermos se temos usado toda a potencialidade desta maravilha do método escutista ou não.

Sobre esta dinâmica de abordagem da vida local sugerimos que comecemos a nossa análise com a pedra basilar do escutismo – O sistema de Patrulhas.

O potencial da Patrulha em tempos de desconfinamento

Com as atuais limitações devemos criar dinâmicas presenciais tendo sempre por base as patrulhas e garantindo um adulto de referência. Será também indicado evitarmos os espaços fechados e pouco ventilados e privilegiarmos a utilização de espaços públicos, eventualmente jardins ou matas da zona, desde que mantendo intacto o respeito pelas normas, tal como nos diz o terceiro princípio “O escuta é filho de Portugal e bom cidadão”.
Nesta fase de desconfinamento não será por certo tempo de corrermos riscos desnecessários, não será o tempo de prepararmos um arraial só porque não conseguimos atingir os objetivos de venda dos calendários 2021.

Em nossa opinião devemos estar orgulhosos com a forma como todos os animadores deram uma resposta positiva na continuidade das atividades, por muito pequeno que possa parecer o contributo foram indispensáveis. Acima de tudo os jovens continuaram a viver o escutismo no seu quotidiano e sempre com um pensamento positivo presente. Em alguns casos fomos válvula de escape das situações de fragilidade com que crianças, jovens e mesmo voluntários adultos convivem.

Foi também interessante perceber como conseguimos não bloquear a vida da associação. A formação dos adultos tem feito o seu caminho de resposta à urgência criada pela crise pandémica, embora entendamos que, precisamos de olhar para o futuro e para as oportunidades que nos trouxe a pandemia. Como dimensionar cargas de aprendizagem, distribuir conteúdos personalizados e evitar deslocações extensas. Mais uma vez o on-line veio dar-nos um empurrão para agarrarmos a oportunidade de dar uma resposta mais atual e eficaz à capacitação dos nossos adultos, com vista a melhor servirem as comunidades educativas de cada um dos nossos agrupamentos.

O CNE aceitou fazer esse caminho - fazendo num primeiro momento um Conselho Nacional de Representantes com conselheiros à distância - aceitando também sair de um local considerado pouco arejado.

A própria vivência do sistema de conselhos, que temíamos não ser possível manter, foi impulsionada pela Covid-19. Primeiro no mundo das empresas, depois no próprio sistema de justiça. 

O CNE aceitou fazer esse caminho – fazendo num primeiro momento um Conselho Nacional de Representantes com conselheiros à distância – aceitando também sair de um local considerado pouco arejado. Foi também curioso como no momento seguinte não se paralisou o Conselho e, recentemente, tivemos o primeiro Conselho on-line da associação.
Neste capítulo devemos dizer que com alegria registamos que tem havido adesão, parece que a abstenção tem perdido algum terreno e acima de tudo o debate, esperamos, tenha sido enriquecido.

Com o regresso às aulas presenciais será também tempo de regressar ao escutismo, com as adaptações que os tempos determinem. A prudência diria que devemos dar um passo intermédio onde vamos ter de aprender a confiar num modelo híbrido de escutismo, onde alguns estão fisicamente presentes e outros estão virtualmente presentes. Teremos de aprender a utilizar corretamente a tecnologia, ou mesmo a procurar novas ferramentas que nos ajudem a concretizar o programa educativo.

Pela frente temos um raide fabuloso para fazermos, estaremos continuamente à procura de reconhecer os sinais do terreno para escolhermos o caminho a seguir.

Vai ser um jogo difícil, mas temos de apostar naquilo que aprendemos desde sempre a fazer – ajudar na educação das crianças e jovens que nos são confiados, mesmo os confinados.

Na realidade o distanciamento social deve, dentro do espírito escutista, ser percebido como distanciamento físico. Existe neste tempo um espaço vastíssimo para a prática da boa ação, reforço do serviço comunitário e acima de tudo será um momento por excelência para exercitarmos a solidariedade.

Apenas conseguimos identificar os ingredientes que vemos como disponíveis, a receita deverá, efetivamente, ser preparada localmente, dando resposta direta ao contexto existente e sempre apoiada pelos órgãos de suporte como os núcleos e regiões. 

Vai ser um jogo difícil, mas temos de apostar naquilo que aprendemos desde sempre a fazer – ajudar na educação das crianças e jovens que nos são confiados, mesmo os confinados.

Fizemos uma lista, não extensiva, do que temos disponível:

Responsabilização de cada um pelo bem comum

Podemos mesmo ser chamados à prática da boa ação nas comunidades, na medida das nossas capacidades e enquadrados num esforço colaborativo com os demais agentes das nossas comunidades locais.

Presença global do movimento (comunidade de partilha e discussão)

Será um tempo interessante para encurtar distâncias, partilhar experiências e revisitar o potencial da dimensão internacional do escutismo. Quem sabe recuperar pequenas atividades que saíram da realidade da associação como as patrulhas correspondentes.

ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO QUE CONFIAM

Mesmo com algum ceticismo, os encarregados de educação continuaram a ocupar parte do tempo confinado ao escutismo.

Viver apenas com o essencial

A mobilidade que tanto vivemos e valorizamos está hoje comprometida, será um tempo para refletirmos qual deve ser o centro da nossa ação, como o programa educativo está atualizado e se de facto estamos a dar a melhor resposta que podemos aos nossos jovens. Que adaptações no futuro podemos vir a fazer, identificando aquilo que nunca poderemos deixar de fazer e que nos torna uma oferta única para crianças e jovens.

Gratidão pelas coisas simples

Mais do que desejar será um tempo de desafiarmos a gratidão. O simples facto da nossa saúde nos permitir estar em atividade pode ser incentivado nas várias vertentes do sistema de progressão individual, mas também na lógica comunitária das nossas rotinas e rituais – alguns têm feito eco em várias casas através dos streamings.

Comunhão com o planeta e o ambiente

Devemos refletir sobre o espaço dos objetivos do desenvolvimento sustentável, com olhos postos no futuro. Como esta crise pandémica veio também desafiar-nos a ser responsáveis pela Casa Comum e a cuidarmos de tudo o que nos envolve.

ESPAÇO PARA APRENDER COM O ERRO

Num novo contexto muito serão as aprendizagens que precisamos fazer, o escutismo sempre foi um espaço privilegiado para que os jovens errassem e com isso aprendessem com uma visão otimista sobre o futuro. A valorização do erro, num contexto de pandemia também deve ser visto sobre a ótica de uma associação que aprende.

Voluntários comprometidos

Não podemos esquecer nunca o papel excecional que todos os adultos voluntários têm desempenhado. É através de todos que temos lutado pela sobrevivência e reinventado em tempo record soluções à medida dos tempos, improvisos através dos ecrãs de telemóveis e computadores. Embora estejamos “cada um no seu quadrado” o tempo é de estarmos juntos e a contribuir para a mesma causa de educar crianças e jovens.

Identidade do grupo – Sistema de Patrulhas

Tomar por base a patrulha novamente, usa-las como ferramenta de estudo e trabalhar a sua coesão, ao mesmo tempo que serem de grupo de referência será um bom investimento no futuro.

Jovens que continuam a esperar uma resposta do escutismo

Houve seguramente jovens a abandonar o escutismo, afinal de contas a retenção de crianças e jovens já era um dos desafios anteriores à pandemia que a associação vivia. A expectativa e até a necessidade para a salvaguarda do bem estar das crianças e jovens passa por ir recuperando o escutismo como o conheceram, enquanto tal não é possível, que seja com as adaptações necessárias – mas nunca é demais recordar que sem crianças e jovens não temos escutismo.

Imagem de força social nas comunidades locais

O reconhecimento que temos será certamente fonte de solicitações de toda a comunidade local: São precisas equipas de serviço de apoio à eucaristia, ao apoio de pessoas em situação de fragilidade, à logística de iniciativas e os escuteiros surgem habitualmente na lista dos voluntários disponíveis – é um prémio de reconhecimento do nosso real envolvimento nas comunidades locais de que nos devemos orgulhar.

 Se com isto, e muito mais, formos capazes de dar vida às várias partes do corpo, seguramente será mais fácil fazermos o caminho juntos.

É tempo de fazermos caminho juntos, como uma comunidade de partilha, tal como uma patrulha que faz o seu caminho e vence todos os obstáculos que lhe surgem.

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